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Pré-temporada do Atlético-PR e Rogério Ceni

Interessante observar a dificuldade das equipes em manter a pegada durante todo o Campeonato Brasileiro. Especialmente este ano, alguns dos principais jogares dos maiores clubes de futebol do país começaram um movimento para fomentar mudanças no calendário. Jogos no meio de semana estariam sobrecarregando a parte física dos atletas, prejudicando o desempenho e causando lesões.

Um dos “cabeças” do chamado movimento Bom Senso FC é o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo. Ele acredita que é possível negociar com as TVs a transmissão das partidas apenas nos finais de semana. “Estamos tentando apresentar benefícios para a própria televisão, que é quem banca o futebol, e para as próprias instituições. Não caminhamos contra o clube, queremos expor o futebol ao máximo, mas queremos valorizar o futebol para o público. Acreditamos que o diálogo é o melhor caminho”, disse o goleiro em entrevista para o site Terra.

O pedido de Rogério, e dos outros jogadores que partilham da mesma proposta, como o meia Alex, do Coritiba, recém chegado da Europa e uns dos que sofreu lesão pelo desgaste, não estão tão fora realidade. A fisiologia do corpo humano, incluindo a dos jogadores de futebol, requer descanso para manter o bom “funcionamento”. Estamos simplificando um pouco as coisas, mas mesmo as melhores técnicas de condicionamento físico precisam contar com o fator tempo. O futebol é um esporte que exige explosão muscular, o que naturalmente causa danos, por isso a exigência do descanso e atividades chamadas regenerativas, de relaxamento muscular. Mesmo o atleta condicionado atuar duas vezes por semana, com pouquíssimo tempo para descanso, já que nesse intervalo estão incluídos os treinos táticos, há certa altura pode haver algum tipo de rompimento, o famoso “estouro” muscular. E o mais interessante em tudo isso é que os preparadores, dirigentes de clubes e patrocinadores sabem disso, tanto é que na Europa, e aí surge a base para tanta reclamação, as partidas costumam ocorrer apenas nos finais de semana, salvo encontros como a UEFA ou Champions League.

Um exemplo a se citar em tão polêmico assunto, e que pelo visto tem dado resultado positivo, é a pré-temporada realizada pelo Atlético Paranaense. O time considerado principal não disputou o campeonato estadual com o objetivo de prolongar o período de preparação física de início de temporada. Enquanto os outros clubes se engajavam na disputa do título regional, o CAP viajou para a Espanha disputar partidas amistosas e minitorneios, em um clima mais descontraído, longe da pressão da torcida e dos dirigentes cobrando resultados. Quando o Brasileirão 2013 começou, o time guiado por Paulo Baier demorou a engatar a marcha, mas agora, na reta final, está bem colocado no G4 e quase sem registros de atletas no departamento médico, a não ser por traumas causados por pancadas. Mesmo Baier, o ídolo veterano, foi poupado em poucas partidas e apresenta um bom condicionamento.

Claro que é difícil relacionar a novidade da preparação física do CAP com a posição que o time ocupa na tabela, mesmo porque o líder é o Cruzeiro com uma pré-temporada corriqueira, mas é inegável que os jogadores rubro-negros se apresentam muito mais inteiros nessas dez rodadas restantes. O arquirrival Coritiba, por outro lado, ficou sem o craque Alex em partidas importantes, fato que se reflete agora com a proximidade do Z4.

Não é nosso objetivo amparar a discussão sobre a mudança do calendário do futebol brasileiro, e sim, apresentar discussões clínicas a respeito da medicina esportiva. Hoje, o grande diferencial das equipes de ponta está justamente na condição de atuar de seus atletas. Não se vence um campeonato com apenas onze titulares. Entram na conta os reservas, a equipe técnica, os preparadores físicos e a qualidade dos atletas, seja ela em forma de habilidade ou da fisiologia. Quanto menos movimento no departamento médico, mais eficiente será a equipe. Agora, não se pode negar a imprudência de se desenvolver um trabalho médico sempre no limite. Talvez esteja aí a queixa de Rogério Ceni. Se é possível manter a qualidade e retorno financeiro do espetáculo mesmo diminuindo o número de partidas, por que não experimentar?

Até a próxima. Mais informações no twitter @drdanielmma e no Facebook Ortopedia do Esporte.

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